domingo, 13 de abril de 2014

A janela e o espelho

A janela e o espelho


Um jovem muito rico foi ter com um rabi, e lhe pediu um conselho
para orientar sua vida. Este o conduziu até a janela e perguntou-lhe:
- O que vês através dos vidros?
Vejo homens que vão e vêm, e um cego pedindo esmolas na rua.
Então o rabi mostrou-lhe um grande espelho e novamente o interrogou:
Olha neste espelho e dize-me agora o que vês.
Vejo-me a mim mesmo.
Ah! Foi logo dizendo o rabi: então já não vês os outros! Repara que a
janela e o espelho são ambos feitos da mesma matéria prima, o vidro;
mas no espelho, porque há uma fina camada de prata colada ao vidro,
não vês nele mais do que a tua pessoa.
Deves comparar-te a estas duas espécies de vidro.
Pobre, vias os outros e tinhas compaixão por eles.
Coberto de prata - rico - vês apenas a ti mesmo.
Seu valor será imenso quando tiveres coragem de arrancar o revestimento
de prata que tapa os olhos, para poderes de novo ver e amar aos outros...

A teoria da evolução

Evolução


Um dia, na sala de aula, a professora estava explicando
a teoria da evolução aos alunos.
Ela perguntou a um dos estudantes: - Tomás, você vê a árvore lá fora? -

Sim, respondeu o menino.
A professora voltou a perguntar: - Vê a grama? E o menino respondeu prontamente:
- Sim. Então a professora mandou Tomás sair da sala e lhe disse para olhar para cima
e ver se ele enxergava o céu. Tomás entrou e disse: - Sim, professora. Eu vi o céu.
- E você viu Deus? - perguntou a professora. O menino respondeu que não.
A professora, olhando para os demais alunos da sala, disse:
- É disso que eu estou falando! Tomás não pode ver Deus, porque Deus não está ali!
Podemos concluir, então, que Deus não existe.
Nesse momento, Pedrinho se levantou e pediu permissão à professora
para fazer mais algumas perguntas a Tomás.
Tomás, você vê a grama lá fora? - Sim. - Vê as árvores? - Siiiiimmmmm.
- Vê o céu? - Sim! - Vê o cérebro da professora? - Não - disse Tomás.
Pedrinho então, dirigindo-se aos seus companheiros, disse:
-Colegas, de acordo com o que aprendemos hoje,
concluímos que a professora não tem cérebro

Uma incógnita

Uma incógnita

Um dia como tantos outros. Debruçado no portão, o homem estendia o seu braço
para tocar a campainha. Não alcançava, insistia, insistia, e nada.
Uma jovem, com a cabeça por entre a porta semi aberta, grita lá de dentro:
-O que o senhor deseja? -Está precisando alguma coisa?
A expressão foi tão grotesca que aquele senhor de barbas desalinhadas,
cabelos que o vento tratou de arrepiar, lançou um olhar de comiseração,
aprumou-se, deu dois passos, olhou para a menina e fez um sorriso triste:
-Nada não, minha filha.
Olhou mais uma vez para aquela casa e saiu com lágrimas cortantes que rolavam
pela face encarquilhada.
Sentou-se sob uma pequena árvore, retirou um pedaço de papel, um velho toco de lápis,
quase sem ponta, rodou entre os lábios e riu.
Escolheu uma frase que pudesse descrever aquela cena anotou no papel amassado
e saiu dali com ele entre os dedos, caminhando em passos cadenciados.
Colocou a mão esquerda no bolso, retirou uma gaita de poucos recursos
e tocou algumas notas musicais, chamando a atenção de algumas pessoas que passavam.
Olhou para o alto, como a buscar alguma coisa, e deixou-se apreciando o céu
encoberto de nuvens passageiras durante alguns minutos. Continuou caminhando.
Em dado momento, sacou uma côdea de pão ressecado, comeu prazerosamente
e bebeu água no chafariz da praça. Procurou um banco e exposto ao frio,
deixou-se ficar naquela posição até o dia seguinte.
Levantou-se, ajeitou as calças e rumou para aquela mesma casa.
Novamente tocou a campainha. A mesma jovem colocou a cabeça fora da porta:
- O que o senhor deseja? Ele saiu sem dizer nada e convulsivamente chorou.
Olhou para os pés feridos.
Balbuciou algumas palavras deitou-se na calçada sem ser notado.
No dia seguinte o sol queimava-lhe as faces escuras e sujas.
A jovem aproximou-se dele para falar-lhe alguma coisa.
Ele colocou o indicador em posição vertical por sobre os lábios:
Sumiu. Seu vulto transformou-se numa luz, misturando-se na multidão.
Pensamentos aturdiram aquela jovem, quase uma criança, que procurou a mãe
para contar-lhe o ocorrido.
Quando a filha relatou o caso, lágrimas rolaram daquelas duas criaturas.
Foi aí que a mãe lhe indagou: -Onde está o seu pai? A filha balbuciou:
-Pois é...